O Ministério da Saúde anunciou a formação de 760 novos profissionais de enfermagem obstétrica para o Sistema Único de Saúde (SUS). Esses profissionais estão sendo capacitados por meio do curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne, iniciado em novembro de 2025, destinado a enfermeiros com pelo menos um ano de experiência na saúde da mulher.
A iniciativa, que conta com um investimento de R$ 17 milhões, visa aumentar o número de especialistas em atenção obstétrica e neonatal no Brasil, que atualmente possui apenas 13 mil enfermeiros obstétricos registrados, segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
A formação é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com 38 instituições e apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo). A escassez de profissionais é evidente, com apenas 46% dos enfermeiros obstétricos vinculados a estabelecimentos de saúde registrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
O enfermeiro obstétrico é fundamental para garantir um atendimento humanizado durante a gravidez, parto e pós-parto, realizando exames, auxiliando no parto e cuidando do recém-nascido. A presença desses profissionais no SUS é considerada crucial para melhorar a assistência obstétrica no país, que enfrenta uma alta taxa de cesarianas.
De acordo com o conselheiro do Cofen, Renné Costa, a medida é positiva, pois o Brasil possui uma baixa proporção de enfermeiros obstétricos em comparação a médicos. Ele destaca que a enfermagem obstétrica deve seguir a fisiologia do parto, reduzindo intervenções desnecessárias e promovendo um ambiente mais seguro e acolhedor para as mulheres.
A formação de novos enfermeiros obstétricos é vista como uma oportunidade de melhorar a assistência às mulheres, embora Costa acredite que o número ainda é insuficiente para atender a demanda do país. Ele ressalta a importância de preparar as mulheres para que possam discutir suas preferências sobre o parto durante o pré-natal.